Ele nasce pequeno dentro de nós, escorre de nossas
entranhas, e chora ao primeiro choque com a vida gélida e real longe do útero,
digo, coração. Nosso pequeno herói, que todos insistem em sorrir e olhar com
admiração, que repetem como um mantra indigno e esperançoso: “ele será forte,
vai resistir a tudo, vai vencer todo mal, vai te fazer feliz.”. Mas, ele é só
um bebe. O amor é só um recém-nascido, uma gota de esperança fraca e frágil em
um rio caudaloso de expectativas desleais.
E então dizem que “O amor (...) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta”, talvez o divino amor assim seja, mas, o meu é mortal e falho. E ele
chora quando sofre, e desacredita, e é impaciente, e morre. E não me diga que
não é amor. Para de se enganar, de repetir para si mesmo que sabe o que é você
aprendeu a vida inteira que o amor é um herói grandioso, um deus sublime, algo
imortal e intenso. Você já sentiu amor,
mas, pensou que era outra coisa, e ele pereceu à míngua em seus braços enquanto
você pensava que ele era apenas um boneco, que o choro dele era de mentira, e
em vez de alimenta-lo seus olhos se perdiam na ilusão e aguardava a perfeição
irreal de um ícone falso.
Eu vos digo
a minha metáfora para o amor: Ele não é um Deus.Ele não é um herói. Ele é um
recém-nascido.
Ele vai te
causar um sentimento estranho enquanto é gerado dentro de você, e às vezes você
vai querer vomitar, suas pernas vão ficar fracas, e quando vê algo diferente estará
crescendo em ti. Ele te fará se sentir bem, quando ele se mexer dentro de você,
e quando durante a noite você não se sentir sozinha. Ele virá ao mundo em meio
a dores. E as dores trarão choro. O seu choro, pois você e seu amor são um,
sendo dois, e o que fere a um ao outro fere e o que alegra a um ao outro
alegra. E você irá abraça-lo, e dirá que tudo vai ficar bem. E vai voltar a
sorrir e se preocupar, porque perceberá que ele é tão frágil e impotente, e que
embora te faça se sentir imensamente feliz, precisa de cuidados, carinho,
atenção.
E então ele
se alimentará de você, não beberá seu leite, mas sugará sua energia, e crescerá
à custa da sua paz. E a cada sorriso dele será também o seu, e vê-lo crescer
fará com que você se sinta bem. Não parece difícil, mas é. O amor não vai
cuidar de você, é ele que precisa de cuidados. E é nisso que as pessoas são
enganadas. Você não joga um recém-nascido ao chão e espera que ele se torne o
mais forte dos anjos e te proteja. O
amor é falho. Ele morre. Ele sangra. Fica doente. Tem dores. Tem fome. Sente carência.
O amor é humano e não divino.