quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Não é hora de sentar, é hora de dançar com a tempestade.

             A chuva cai lá fora, pinga na minha janela, e lava o chão de concreto da cidade que agora chamo de lar. Dentro de mim, temporal. Os céus negros e inconstantes da minha alma se agitam diante de mais um desafio. Os raios e trovões cortam minha mente e ecoam pela minha cabeça cansada.
            Quantos gigantes ainda hão de vir? Quantos furacões ainda terei de enfrentar? Meu corpo dói. Viver dói. Talvez por isso tantas pessoas busquem conforto em um plano metafísico que promete nada além de paz, que promete livra-los da dor. Meu peito bate cansado e minhas pernas, tomadas por espasmos enfraquecem, se dobram. A chuva aumenta lá fora, e dentro de mim. Vejo-me diante do furacão, preciso correr, me agarrar, minha mente embebida em desesperança ordena a fuga, ordena a força, ordena o se agarra. Em vão, sua autoridade se foi. Meu corpo não obedece. Eu sorrio em desespero, sorrio de medo. A loucura fica mais forte quando seu lado são se enfraquece. O Álcool parece mais atraente, talvez devesse tomar um uísque sentado em poltrona no olho do furacão.

            Há, mas ainda não é hora de partir. Não, ainda não é hora de ir, não posso desistir. Meu maldito drink no inferno vai ter que esperar, existem pessoas que precisam de mim, ou talvez eu precise delas. Não é hora de sucumbir, a minha história não termina aqui, eu vou dar a volta por cima, eu vou me levantar e bailar com o furacão. Serei o colírio do seu único olho. Eu vou permanecer de pé. Eu posso. Eu vou. Eu serei. Sou forte. Implacável. Eu vou sorrir olhando a terra destruída, e beber minha bebida quando eu for tudo que sobrar de pé.   

IV

IV

Mas, se ela soubesse os efeitos que tem em mim.
Você não faz Ideia das explosões que me causam no peito
o simples ato de ler teu nome, ouvir tua voz, sentir teu cheiro.
O amor é uma fábrica de explosões.

Não, ela não sabe.
Mas, de todos os sóis
que existem na galáxia,
aquele par de olhos castanhos são os que
atraem meu mundo com maior gravidade.

E tudo que quero
é ama-la no espaço, fazer do nosso amor
intergaláctico,
o mais lindo do universo.

E todo dia
eu peço para que a loucura dela
combine com a minha.

III

III

Ha, Caetano...
Eu passo noites a imaginar nós dois.
Eu fico, sabe, sonhando acordado, juntando antes, agora e depois...
Mas, não entendo, porque ela me deixa tão solto ?
Porque ela não cola em mim?
As vezes eu me sinto muito sozinho...

Caetano, meu amigo, entenda,
Eu não sou e nem quero ser o dono dela
Mas é que um carinho as vezes cai bem.
Sim, eu tenho meus desejos e planos,
alguns eu só conto para você, mais ninguém.

O que realmente não entendo, Caetano,
É porque ela me esquece e some...
Daí eu fico pensando:
E se eu me interessar por alguém?
E se esse alguém de repente me ganha?

Ha Caetano,
Quando a gente gosta é claro que agente cuida,
A gente procura e se preocupa.
Mas, esse jeito dela, a indiferença.
Temo que me leve a loucura.
Onde ela está agora ?

II

II

Não é minha intenção de sufocar
Não posso lhe dar todo meu amor, nunca poderei
Meu peito é um pássaro azul, e ele precisa do céu, do ar

E como pássaro, precisa voar
precisa ser livre, descobrir outras nuvens,
sentir outros ventos, sem ninguém para carregar.

Um azul celeste solitário, que se sente bem na imensidão.
Mas, todo pássaro precisa de um ninho, embora possa voar léguas,
pousar de aluguel em outros, o meu sempre será seu coração.

I

É só mais um surto
Só mais uma Asma
Outra vez meu cérebro em curto
E o coração que outra vez se entusiasma.

Ha! Como queria lhe odiar
usar esses versos como insulto.
Como eu queria em ti mergulhar
e descobrir tudo que manténs oculto

Desculpe me, são versos simples
Quero com eles chamar sua atenção
Você flecha, eu aquiles.
Você autossuficiente, eu não.

Eu vejo seus medos, sinto sua culpa
Sei que ainda não sabe amar.
Sem lágrimas, sem desculpa
Segure minha mão quando eu segurar a sua, e eu posso te ensinar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Asma -- Um retorno por falta de ar

Depois de muito tempo voltei a escrever.
            Talvez porque no momento esteja sufocando em meu âmago. Não é mal de amor, não, antes fosse, amor se cura com álcool e música boa. Não, nenhuma tragédia sobreveio sobre mim – não ainda, pelo menos não uma que eu tenha me dado conta – e numa visão global da vida, eu não deveria estar reclamando. Todavia, há um vazio sufocante em mim, uma inquietude de espírito que parece consumir meu ser, a asma voltou. Meus pulmões já não se enchem de ar, e meu espírito já não encontra fôlego. Em vão tento respirar, mas minha alma falha, não há ar, não há vento, a brisa quente e leve da primavera se foi e nem mesmo o frio vento do inverno parece soprar, não há ar, não há nada.
             Julgas-me talvez egoísta, “há tantos passando fome, tantos em abandono e dor”, mas, meu amor, não desmereço o sofrimento alheio, contudo o sofrimento do próximo não impede o meu, sentir dor não faz de mim egoísta. E a ânsia pelas coisas da vida, pelo espírito que não respira e a passiva escuridão que sufoca, não fazem de mim um mau cidadão, antes, porém me reafirma como humano. Além do mais, minha alma tem fome, e meu interior tem dor, meus pés têm calos e eu não sei para onde ir. Uma nuvem de dúvidas se estaciona sobre minha cabeça, e névoa das incertezas encobrem meu caminho.

            Eu dirijo às cegas pela estrada da vida, cego pela neblina, com medo dos caminhões que passam raspando, pelas curvas surpresas, pelo asfalto molhado, pela gasolina que pode acabar antes do próximo posto. Eu me perco, e nem mapas ou GPS pode me ajudar, eu me perco porque não sei para onde ir e nem o que esperar. Desci do carro, andei pela estrada da vida a procura de ar.  

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Afogar

  Não era pra ser, nunca fez sentido, não faz. Mas, aqui estou eu, aqui estamos nós e é, nós somos. Fruto da inconstante improbabilidade universal. Somos um erro do universo, um acaso improvável e imperfeito. Nós somos... Céus... Eu não sei o que somos. Seu silencio me grita tantas coisas e seus olhos vidrados nos meus me confundem tanto, fica difícil definir qualquer coisa, eu tento por a cabeça no lugar, mas ai você chega e deixa nossos lábios ali se descobrindo enquanto nossas línguas bailam e nossos corpos se chocam, e pronto, minha cabeça se perde totalmente e eu tenho a certeza que ela nunca esteve ou estará no lugar.
  Eu gosto de você, do seu cheiro e de como você prende o cabelo. Gosto de como você briga comigo e ameaça me matar, como me manda embora, me segura e me faz ficar. Gosto das nossas brigas, dos desencontros, dos insultos e de como acabamos entrelaçados em algum lugar, gosto do seu corpo quente, e de como eu me sinto confortável, como ave cansada que encontra ninho para pousar. Gosto de sentir essa coisa estranha queimando dentro do peito, isso que eu chamo de amor e torço para ser outra coisa, algo melhor, algo que não machuque. Gosto do momento, dessa calmaria que antecede a tempestade, dessa doce calma de deitar-me com você e apenas respirar. Há meu bem, eu queria ficar, queria ser esse erro para sempre, mas, para sempre não existe, me sinto deitado em um barco a deriva no mar, olho para o céu, ao longe, e vejo a chuva chegar, tudo bem, eu não planejo pular do nosso barco errôneo e imperfeito, feito para ser de enfeite e não para navegar.  Não tenho medo dela, venho de tantas tempestades que perdi o temor pela chuva. O problema é que não sei apenas me molhar, sou poeta de mais, escritor de mais, intenso de mais. As ondas virão. A tempestade também e eu vou me afogar.
  E ai, você será um erro solitário, nós não seremos o que não deveríamos ser, por isso eu quero agora, enquanto ainda brilha o sol, eu quero gostar, eu quero sentir, quero você em cada momento, quero dançar a valsa que nossas línguas tão bem conhecem, me perder em suas curvas, aproveitar a calmaria de navegar com você sem destino. Assim, quando a tempestade chegar, talvez, só talvez eu me afogue em você e não no mar. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sentido II

Você me olhou e disso que não fazíamos sentido.

Muitas coisas não fazem...
Não faz sentido
você brincar assim comigo
Me embriagando com saliva
e tirando meu juízo

Não, não faz sentido
não ter escolha
me perder em seus mimos.

Absolutamente nenhum sentido
me perder em versos, sem nem
saber o que sinto.

Eu me perco em seus olhos,
na sua pele, na sua boca,
explorando cada sentido.

Não, não faz nenhum sentido.
Mas, prefiro assim.
Sem destino. Sem ponto de chegada. Não faz sentido.
Mas, sinto.




Sentido

SENTIDO
SEM TI
DO(R)

NÃO FAZ SENTIDO
VOCÊ SORRIR
EU SENTIR
AMOR

Não faz sentido

        Não vou escrever sobre nós, não vou escrever sobre nós, não vou escrever sobre nós, não vou falar sobre como adoro seu corpo, ou a forma como você me olha, nem como me sinto completo com nossas brincadeiras, implicâncias e discussões bobas. Eu tentei não escrever sobre nós para não criar expectativas, nem fixar lembranças escritas. Não quero que haja uma obrigação de definir isso que a gente sente, nem sei se quero que isso seja amor ( "Nunca foi amor, era uma parada bem mais legal"), porque eu sei que o amor sempre machuca. É que ainda é cedo, cedo para tudo, para definições, para promessas, para fazer sentido.
        E nós bem sabemos disso, do quanto é cedo, do quanto não fazemos sentido, nós dois juntos, sem sombra de duvida foi um péssimo trabalho do cúpido. Afinal... Qual a chance de isso dar certo? Eu aposto em nenhuma  e exatamente por isso eu quero que dê. Que acabe bem, na verdade que não acabe...
       Contudo, sigamos assim. Sem grandes definições, sem impor conceitos, sem coisas com sentido, sem definir o que é isso. E que por hora eu não quero nada que faça sentido, não quero descobrir o que sinto, por enquanto eu quero deitar uma tarde inteira com você e ser feliz. Que seja assim mesmo, sem sentido nenhum, sem direção, com todas as interrogações. Vem, deixa eu me perder e me achar em você, joga comigo até nos perdermos em nós, nos amarramos em indesatáveis nós, até ser algo melhor, até fazer sentido ou não, até deixar de ser o que é (seja lá o que isso for).

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Frio

É madrugada. Eu perdi o sono outra vez. São 03:41 da manhã e eu me perdi dentro de mim procurando você. Procurando uma razão para estar aqui, com os olhos fundos e confusos e um falta de ar sem explicação. E como se algo tivesse se amarrado ao meu peito, apertasse meu pulmão e limitasse o numero de batidas no coração. Sabe aquele aperto inexplicável que você sente? Eu sei.
                Não, não é questão de amor, eu já não sei o que é isso a muito tempo. Não me classificaria como apaixonado também, pra mim, paixão sempre foi coisa de gente desocupada. Provavelmente é apenas drama, eu to aqui só por gostar de você, mas eu não sei ser pouco, eu tentei gostar só um pouquinho, mas falhei. Eu gosto, gosto muito, quase tanto quanto gosto de chocolate.
O problema é o tanto que você me confunde. Você parece gostar, e no mesmo momento suspende uma parede de gelo entre a gente. Eu quero me aproximar, entrar na sua vida, limpar qualquer ferida remanescente, te deitar do meu lado e cuidar de você. Quero brigar por coisas bobas, dizer o quanto te acho idiota e terminar a discussão com um beijo. Mas, toda vez que eu tento entrar a porta está trancada e eu tenho que ficar batendo na janela esperando que você ouça e me de ao menos 5 minutos de atenção.

Não, eu não trouxe malas, não quero te sufocar e tirar seu espaço. Nem quero que você venha e me sufoque com atenção. Não preciso que você fale comigo o dia todo, ou que me ouça reclamar. É que está frio aqui fora. Eu só queria entrar por alguns minutos, só o tempo de sentar co você em frente à lareira, incendiar meu coração e derreter aquele muro que você ergueu. 

sábado, 7 de março de 2015

Morena

Negros,
Cabelos densos e absolutos
Eram como noite sem estrelas
O mar em breu revoluto
Selvagem,
Como se o universo atro rugisse no além céu.
Fios em densas trevas, belas, escorrem pelo rosto ao léu.

E que rosto! Em tom moreno,
Traços belos
Sorriso bobo, solto, lábios carnudos
Olhar singelo

Mas, morena...
Esse teu olhar tão distante..
O que fita tua formosa íris?
Aonde vai a tua mente?
Em que mares navegam teu coração?
O que você tanto sente?

Serão teus sonhos muito grandes?
Esse anseio pela liberdade que não chega
A liberdade que nem existe.
Os outros riem quando teus olhos ficam tristes.

Os outros param e você acredita
Os outros vivem, você sobrevive.
Os outros são maioria, os outros se encaixam
Esse lugar pertence aos outros

E você é só a deslocada,
que faz toda a diferença nesse mundo chato dos outros. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Julgamento

Eu esgotei todos os meus argumentos
Você bateu o martelo.
Era juíza e carrasco.

- Condenado !  -- Você bradou

-Protesto ! Só aceito ser sentenciado a ficar preso a seu lado ! -- Tentei argumentar

-Protesto negado ! Condeno-te a cárcere privado. -- Você cerrou os olhos

- Serei algemado? - perguntei impotente.

- Será punido por ser um menino levado, vai ficar preso,  algemado! -- Você complementou a sentença.

Aceitei minha condenação. Naquele dia perdemos o juízo no quarto..

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cronicas do Kyhan -- A ligação --

               Era madrugada quando você me procurou revoltada com ele. “Como ele pode?”. Descreveu-me o acontecido, quis falar mal do sujeito, e depois quis defendê-lo. Eu ri. Disse: “amiga, o erro foi seu. Se envolveu de mais.”. Um veredicto duro a priori, contudo real. Você entrou no jogo, apostou e perdeu. Não foi um julgamento, foi uma análise da situação. Porque veja bem, a vida tem dessas coisas mesmo, a gente se envolve sem querer, se apaixona do nada, rápido, silencioso e mortal, é como ser apunhalado por um assassino profissional escondido nas sombras.
                E no fim das contas vocês nem tinham algo serio, e era um misto de ciúmes e frustração. Eu ri outra vez. Queria te abraçar e te fazer rir comigo. Ai eu analisei cada fato, e sussurrei aquilo que sua paixão não te deixava ver. Você me disse “Eu to triste”, um amigo normal mandaria você para com isso, levantar a cabeça, esquecer ele, beber umas e ir para uma festa. Mas, eu nunca fui normal, “Tudo bem, você está certa, fique triste. Você tem esse direito. Deite a cabeça no travesseiro e chore, não por ele, ele não merece, chore apenas por estar triste. Mas me prometa que quando a tristeza quiser ir embora você vai deixar, Promete que não vai segurar no pé dela e pedir para ela ficar.” Porque a gente tem dessas coisas, a gente se apaixona pela tristeza, e quer dormir de conchinha com ela, a gente trás café da manha na cama, almoço e jantar, ai de um pequeno mal necessário ela cresce e se torna maior que a gente.
                No fim de tudo a gente não decidiu muita coisa, você defendia e acusava o rapaz. Eu disse as palavras de um velho poeta para você. “Relaxa, isso tudo pode ser paixão, mas pode ser uma puta frescura também”. Você riu. Eu também ri. Ai a gente percebeu que você estava acelerando as coisas, se preocupando com a chuva de daqui um mês. Disse para você ficar calma, esperar o próximo movimento no tabuleiro. Parar de se desesperar e analisar o contexto.
                No fim você estava mais calma. Eu sorri feliz quando você me agradeceu por te ouvir. Eu sorri porque a vida é uma coisa muito estranha mesmo, me sentia como um médico que podia amenizar a dor de todos, menos a própria.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

As Crônicas do Kyhan -- Quase romântico --


                 Quem você quer enganar? Não queria dizer, mas é que dá pra ver de longe, está em tudo, nesse sorriso bobo, nos seus gestos, no seu olhar. Digo isso, porque até aquela sua tia gorda já percebeu e pergunto "vocês estão namorando?" e você ainda insiste nesse papo tosco de "somos só amigos". Pois é princesa, meus pais eram amigos e eu nasci.
                E você guri ? Não tenta disfarçar, até os amigos da pelada já perceberam. E os mais próximos até sabem que você da pause do Playstation pra responder o whatsapp dela. Devo falar sobre aquele dia que te peguei escrevendo o nome dela na mão e você jurou pra mim que era o nome de uma marca de feijão, e que sua mãe tinha pedido pra você comprar. Tsc tsc tsc. Deprimente.
                E não vem falar pra mim que vocês são amigos desde que os Dinossauros andavam pela Terra, isso não é um argumento válido. Cara, o amor é um perfume forte que ocupa todo o ambiente, ele é visível, está na química - na geografia, história, matemática e em que mais você puder pensar- das pessoas. Mas sabe, estou falando de Amor, Amor de verdade, não uma paixonite que te deixa com borboletas no estômago-isso alias não existe, são gases-, ou ainda te deixam de pernas bambas, isso geralmente é falta de Cálcio. Amor de verdade é outra coisa. E se você conhece esse sentimento, porque não dar mais um passo? Por que não arriscar um pouco mais ? Não é difícil.. 
                Se assim como eu você é uma negação na música, não toca nada, nem galinha. Canta feito uma foca fanha e asmática.Só resta um jeito, escrever. Bem, pra mim funciona. Mulheres adoram poesias e garotos também gostam de receber declarações(fica a dica garotas). E vale tudo, escrever num papel de pão, em um guardanapo, num papel amassado. Você pode escrever um recado em qualquer lugar, mas se quer mesmo impressionar, mande um poesia. Não é difícil. Vou ensinar como é:

Quando eu te vi
montei em um boi e fugi
de saudades não aguentei 
subi em um jegue e voltei

Porque você é minha estrela
você é minha inspiração 
viver sem você é 
tentar respirar sem pulmão 

Se és a paçoca da minha lancheira
És a princesa do meu Mario 
Se sua mãe demorar a sair, a gente
disfarça e se pega dentro do armário 

Seja minha princesa
deixe-me ser seu Herói.
Vou te proteger de todo mal,
e te amar durante mil sóis. 


E pronto, você ganhou o coração Dela ou dele, basta caprichar e mandar. " No amor e na guerra vale tudo" só não vale deixar o Amor escapar. 

-A.K

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Versos livres II

Moça, 
Não me leve a mal... 
É que sou pássaro livre. 
Claro, gosto sim de pousar em seu jardim, 
cantar e te ouvir sorrir, 
mas, moça já deixo avisado que vou partir,
o céu é meu lar.
Desculpe, sou pássaro livre,
Não sei viver em tuas gaiolas.

Versos Livres I

Minha Pequena,
de olhos grandes e
sorriso largo.
Me diga agora, 
Como pode uma menina
repousar tão a vontade em meu âmago?
Me diga agora,
como me solto desse teu Laço?
Porque olha pra mim... Tão cheio de defesas...
E quem diria ? Acho que é tarde...
Escrevo seu nome, só sai poesia.
A.K 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Cronicas do Kyhan -- Um buraco no meio do Peito.



               Ele acordava sozinho todos os dias. Ele Olhava o teto, coçava os olhos, saia de sua cama, lavava o rosto, vestia suas roupas e seguia para o trabalho. Parava na cafeteria. O café era para um, havia tempo que era assim. Não havia bebidas de sabores diferentes à mesa, os filmes não precisavam ser discutidos, nem a pizza disputada. Ele sentia um vazio no peito, era como se tivesse um buraco ali, como se faltasse algo, se sentia em meio a trevas, sob o julgo insuportável do silencio.
                Ele buscou abrigo na religião, ouviu dizer que muitas pessoas preenchiam todo aquele espaço dentro de si com um Deus invisível. Ouviu dizer que o amor que eles pregavam poderia suprir suas necessidades e que um espírito falaria com ele quebrando o silencio. Mas, aquelas pessoas... Elas odiavam o amor, se o amor não fosse como um livro antigo as dizia, eles gritavam que você merecia queimar no inferno, ele nunca ouviu o espírito que deveria quebrar o silencio, nem ao menos encontrou conforto no Deus autoritário. O seu vazio continuou aberto. A solidão ainda era sua inimiga, não havia ninguém por perto.
                Ele tentou preencher aquele buraco com outra pessoa. Ele colocou alguém ali dentro. Por um tempo deu certo, o novo morador o aquecia, por vezes o incendiava, o silencio era quebrado por gritos extasiados de prazer. Ele conseguia fugir da solidão, agora havia sempre alguém por perto. Ele se sentia feliz. Era o amor da vida dele, era seu tudo, seu alimento... Até ontem. Ai o que eles chamam de amor acabou. E quando queimou pela ultima vez, deixou o buraco maior, mais frio, a solidão voltou em um abraço. O silencio agora gritava em sua mente. As lagrimas molhavam o chão e o afundavam em um mar vazio. Outra vez ele estava só.
               Ele continuou tentando, ele colocou amigos que passaram direto pelo buraco. Tentou colocar quadros e músicas. Tentou comprar coisas. Tentou encher aquele buraco com trabalho. Tentou fumar e quem sabe aquecer outra vez aquele vazio, tentou beber e esquecer o buraco. Falhou em cada misera tentativa. Nada, nada adiantava. A solidão ainda batia em sua porta todas as noites, o silencio agora cantava músicas tristes em seu ouvido e ele pensou em preencher o buraco com a morte.
                Um dia ele correu, tentou desesperadamente correr de tudo aquilo. E ele descobriu que correndo no ângulo certo contra o vento o buraco faz um assovio engraçado. Ele parou rindo, e pela primeira vez parecia livre. A solidão depois de tanto tempo não incomodava, era uma velha amiga com que ele podia dançar ao som caprichoso do silencio. E desde então ele é feliz com seu buraco no peito. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

A Despedida



“As gotas de água que caem do céu são lágrimas, minha pequena. Lágrimas de tristeza. Dizem que são vertidas dos olhos dos próprios anjos”.

Olhando para a janela, imaginou se assim seria. Havia certa melancolia no modo em que a fina torrente manava do céu enegrecido. Cada gota trepidava como pesados diamantes ao cair da vastidão azul e cinza, para amainar no chão duro como uma fruta madura que despenca de uma árvore.

O pêndulo do relógio a alertava cada segundo. O tic tac a lembrava a pulsação incansável de uma chaga aberta. Levantou-se.

Pegou um pano de feltro ilustrado com estrelas amarelas. Limpou capa móvel, cada livro, cada objeto. O porta-retratos de moldura extravagante estava ali, sobre a pilha de livros de Dostoiévski. Vislumbrava seu sorriso frágil, os olhos ambíguos e vazios. E ao seu lado estava ele, — a ferida se agitou em protesto — os lábios macios esticados sobre os dentes, o brilhoso cabelo encaracolado e o braço longo e lindo gentilmente pousado em seus ombros ossudos. Desviou os olhos. Não queria pensar nele — a ferida ardeu.

Foi até a cozinha tentando não pensar no único e solitário prato que habitava na mesa. Seu coração ardeu, como se o próprio sangue o corroesse por dentro. Seria assim agora? Sempre que comesse à mesa se lembraria.

Tentou não lembrar. Mas fracassou, no banheiro notou o xampu para bebês e lembrou-se. Na varanda viu a bicicleta — velha e nunca usada — recostada na parede e sua garganta se fechou como se um punho se trincasse em seu pescoço.

Entrou no quarto de olhos fechados. Era inútil. Ele — a ferida queimou — estava em toda parte. Ele era a decoração, o teto e o cheiro. Era seu lar e sua essência.

Mas era teimosa. Tão teimosa! Permaneceu lá, deleitando-se na lancinante agonia que era lembrar. Varreu e limpou, arrumou e reajeitou. Atingiu seu objetivo: cansou-se. As pernas e braços jaziam moles, sôfregos. Estava suja.

O banho foi longo, quente no início e frio quando os minutos se tornaram horas. Não se importou. A sujeira não era visível em sua pele dura e rígida, mas sentia-se torpe e asquerosa, imunda e impossível de ser lavada. Por quê?

Secou-se, a toalha nova arranhando ao invés de secar. Não se importou. Colocou um vestido leve e transparente, o contrário de sua alma. Passou o perfume que mais gostava, mas o cheiro que sentia era o do desprezo. Desprezo e cólera.

Sentou-se no sofá e tentou pensar no nada. Era difícil. Deitou-se quando dois longos minutos se passaram.

Virou-se de ponta a cabeça quando mais minutos se foram. Cochilou e acordou. Duas vezes. Em seus sonhos céleres via-se sozinha, só ela e as mariposas. As duas opacas e pouco apreciadas. Esperava-se que virassem borboletas belas e admiráveis, mas por culpa do destino não era assim. As mariposas eram como ela. Ela era como as mariposas.

Acordou num átimo, ofegante e suada. Tocou a pele úmida enojada e aliviada. Prendeu os cabelos longos que colavam-se na testa e pescoço. Limpou a pele grudenta na almofada que viera de Paris. Secou o canto dos olhos que minavam o mais quente dos líquidos. Sentia o sabor salgado delas. Suas companheiras devotas. Perguntava-se quando elas iriam embora. Como todos os outros se foram.

A campainha tocou. Soando como uma última badalada. Sentiu o estômago gelado como o mais frio dos gelos. E era doloroso como a mais dolorosa das dores. Era ele — maldita ferida! —. O coração bateu forte, galopando. Pesado. Como se trezentos gramas pesassem agora trezentos quilos. Puxando a carne fibrosa e pulsante para baixo. Expandindo-se além do normal. Oprimindo o estômago. O que era? Ânsia? Medo? Não sabia.

Avançou até a porta com furor, regozijando-se de um súbito arrojo que não soube descrever. Mas no momento que tocou o metal frio, tudo se esvaiu. A coragem súbita e dúbia e o ar que lhe enchiam os pulmões. Os dedos finos, esquálidos e feridos apertavam a maçaneta com uma veemência que se equiparava a um soldado segurando uma granada sem pino. A pele delicada estava friamente úmida, como a parte exterior de algo que tirara do congelador.

Mas não poderia adiar para sempre. Não. Não podia. Então, resgatando todo o ar que podia, escancarou a porta de uma vez só. Eleestava lá, certamente. Estagnado, inócuo, airoso como uma flor orvalhada durante a manhã fria. Não era o seu.

Ele não falou, só olhou a profundamente. Os olhos castanhos como a terra do seu canteiro de tulipas. Cílios garbosos, alongados, negros e espessos. Não era o seu. Os lábios finos e rubros, dentes tortos e reluzentes, pêlos grossos brotando embaixo dos lábios e nariz. Lembrava-se da textura, da sensação que tinha ao tocar sua pele fina, sua pele íntima.

O abraçou. Sentiu o calor acolhê-la. Quente, aconchegante. Não era o seu; Olhou para o rosto, amplo, maravilhoso. Seu anjo-homem. Seu Adônis. Não era o seu. O sorriso formoso, franco, fresco. Não era o seu.

Não mais.

Quando separou os lábios — unidos pelo tempo que estiveram fechados — ressequidos e sem vida, a voz simplesmente não saiu. Agoniada, estava sufocada pelas palavras que tanto evitara. As palavras costumavam galgar em sua língua. Desesperadas. Ansiando serem proferidas. Podia ouvir o som da própria voz, gritando, gemendo, sussurrando em seu ouvido, em sua mente, em seu cerne.

-Diga.

-Só diga. Por favor.

-Não quero.

-Não suporto.Não mais.

Ele ficou confuso. Seu anjo. Pegou seus ombros, fechando os dedos longos e fortes em seus braços. Sentiu-se suja. Desviou o olhar, mas os dedos novamente tocaram sua pele, segurando o queixo. Mantendo-o sob a visão perscrutadora. Tudo que não queria. Mas não evitou. Olhou no fundo da íris brilhosa e rútila. Devia aquilo a ele, devia muito mais. Mas era a única coisa que podia lhe dar. Aquilo e nada mais. Então sussurrou. Numa voz que mais parecia um suspiro:

— Precisamos conversar. — E seu coração se esmagou sobre si mesmo quando percebeu que mais um anjo se amotinaria para banhar a terra com lágrimas frias.

Asma Literária

Primeiramente, bem vindos ao Blog.

Agora,

 Porque "Asma literária" ?

  Bem, porque objetivo deste Blog é causar Asmas literárias em nossos leitores e ao mesmo tempo evitar as Asmas literárias dos autores. Confuso? Paradoxal ? Contraditório ? Talvez. Deixe-me explicar.
  O que é Asma? Asma é uma doença, um estreitamento dos brônquios que causa certa dificuldade de respirar podendo sufocar o portador da doença. Costumo dizer que todos estamos sujeitos à asma, sujeitos a sufocar, mas podemos sufocar de boas e más maneiras.
  Quando digo que o intuito desse Blog é causar e evitar asmas é porque há, ao meu ver, dois tipos de asmas literárias. A primeira forma de Asma literária é quando você se sufoca em si, quando seus sentimentos, preocupações e medos são tão grandes no seu interior que te impedem de respirar. Sim, sua garganta e pulmão se fecham, entupidos por tanta coisa que tenta escapar do seu coração. E devido à ausência de ar, você começa a morrer, você busca uma saída, um remédio, sua "bombinha" e não acha nada. Então, um belo dia descobre que a arte é seu tratamento. Escrever, compor, cantar, pintar, se expressar.  Descobre que viver exige gotas de sangue derramadas em um caderno, que caneta e papel são suas bombinhas, e derramar tudo que te sufoca em forma de palavras, frases e escritos são as únicas coisas que te impedem de sufocar dentro de si.
  Esse primeiro tipo de Asma é o que queremos evitar. Queremos estimular esse novo e revolucionário tratamento. A Arte é a unica cura, e a única porta para a imortalidade.
  O Segundo tipo de Asma Literária é quando você lê, escuta, vê ou toca algo que te encanta de tal forma que por alguns instantes você perde a capacidade de respirar. Essas pequenas crises asmáticas são recomendadas, devem ser diárias, são o tratamento contra a tristeza que infecta nossos corpos. Queremos te fornecer esse remédio. Queremos que aqui você tenha essas pequenas crises que lhe roubam o ar, mas alimentam a alma.

 Nós do "Asma Literária" buscamos sangrar no caderno cada coisa que nos aflige. Queremos tirar e lhes dar ar. Queremos viver, sufocar. Por que não fim, para estar vivo, não basta apenas respirar.