Era
madrugada quando você me procurou revoltada com ele. “Como ele pode?”. Descreveu-me
o acontecido, quis falar mal do sujeito, e depois quis defendê-lo. Eu ri.
Disse: “amiga, o erro foi seu. Se envolveu de mais.”. Um veredicto duro a
priori, contudo real. Você entrou no jogo, apostou e perdeu. Não foi um
julgamento, foi uma análise da situação. Porque veja bem, a vida tem dessas
coisas mesmo, a gente se envolve sem querer, se apaixona do nada, rápido,
silencioso e mortal, é como ser apunhalado por um assassino profissional
escondido nas sombras.
E no fim das contas vocês nem tinham algo
serio, e era um misto de ciúmes e frustração. Eu ri outra vez. Queria te
abraçar e te fazer rir comigo. Ai eu analisei cada fato, e sussurrei aquilo que
sua paixão não te deixava ver. Você me disse “Eu to triste”, um amigo normal
mandaria você para com isso, levantar a cabeça, esquecer ele, beber umas e ir
para uma festa. Mas, eu nunca fui normal, “Tudo bem, você está certa, fique
triste. Você tem esse direito. Deite a cabeça no travesseiro e chore, não por
ele, ele não merece, chore apenas por estar triste. Mas me prometa que quando a
tristeza quiser ir embora você vai deixar, Promete que não vai segurar no pé
dela e pedir para ela ficar.” Porque a gente tem dessas coisas, a gente se
apaixona pela tristeza, e quer dormir de conchinha com ela, a gente trás café
da manha na cama, almoço e jantar, ai de um pequeno mal necessário ela cresce e
se torna maior que a gente.
No fim de tudo a gente não
decidiu muita coisa, você defendia e acusava o rapaz. Eu disse as palavras de
um velho poeta para você. “Relaxa, isso tudo pode ser paixão, mas pode ser uma
puta frescura também”. Você riu. Eu também ri. Ai a gente percebeu que você
estava acelerando as coisas, se preocupando com a chuva de daqui um mês. Disse
para você ficar calma, esperar o próximo movimento no tabuleiro. Parar de se
desesperar e analisar o contexto.
No fim você estava mais
calma. Eu sorri feliz quando você me agradeceu por te ouvir. Eu sorri porque a
vida é uma coisa muito estranha mesmo, me sentia como um médico que podia
amenizar a dor de todos, menos a própria.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
As Crônicas do Kyhan -- Quase romântico --
Quem
você quer enganar? Não queria dizer, mas é que dá pra ver de longe, está em
tudo, nesse sorriso bobo, nos seus gestos, no seu olhar. Digo isso, porque até
aquela sua tia gorda já percebeu e pergunto "vocês estão namorando?"
e você ainda insiste nesse papo tosco de "somos só amigos". Pois é
princesa, meus pais eram amigos e eu nasci.
E você guri ? Não tenta
disfarçar, até os amigos da pelada já perceberam. E os mais próximos até sabem
que você da pause do Playstation pra responder o whatsapp dela. Devo falar
sobre aquele dia que te peguei escrevendo o nome dela na mão e você jurou pra mim
que era o nome de uma marca de feijão, e que sua mãe tinha pedido pra você
comprar. Tsc tsc tsc. Deprimente.
E não vem falar pra mim que vocês
são amigos desde que os Dinossauros andavam pela Terra, isso não é um argumento
válido. Cara, o amor é um perfume forte que ocupa todo o ambiente, ele é
visível, está na química - na geografia, história, matemática e em que mais
você puder pensar- das pessoas. Mas sabe, estou falando de Amor, Amor de
verdade, não uma paixonite que te deixa com borboletas no estômago-isso alias
não existe, são gases-, ou ainda te deixam de pernas bambas, isso geralmente é
falta de Cálcio. Amor de verdade é outra coisa. E se você conhece esse
sentimento, porque não dar mais um passo? Por que não arriscar um pouco mais ?
Não é difícil..
Se assim como eu você é uma
negação na música, não toca nada, nem galinha. Canta feito uma foca fanha e
asmática.Só resta um jeito, escrever. Bem, pra mim funciona. Mulheres adoram
poesias e garotos também gostam de receber declarações(fica a dica garotas). E
vale tudo, escrever num papel de pão, em um guardanapo, num papel amassado.
Você pode escrever um recado em qualquer lugar, mas se quer mesmo impressionar,
mande um poesia. Não é difícil. Vou ensinar como é:
Quando eu te vi
montei em um boi e fugi
de saudades não aguentei
subi em um jegue e voltei
Porque você é minha estrela
você é minha inspiração
viver sem você é
tentar respirar sem pulmão
Se és a paçoca da minha lancheira
És a princesa do meu Mario
Se sua mãe demorar a sair, a gente
disfarça e se pega dentro do armário
Seja minha princesa
deixe-me ser seu Herói.
Vou te proteger de todo mal,
e te amar durante mil sóis.
E pronto, você ganhou o coração Dela ou dele, basta
caprichar e mandar. " No amor e na guerra vale tudo" só não vale
deixar o Amor escapar.
-A.K
Quem você quer enganar? Não queria dizer, mas é que dá pra ver de longe, está em tudo, nesse sorriso bobo, nos seus gestos, no seu olhar. Digo isso, porque até aquela sua tia gorda já percebeu e pergunto "vocês estão namorando?" e você ainda insiste nesse papo tosco de "somos só amigos". Pois é princesa, meus pais eram amigos e eu nasci.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Versos livres II
Moça,
Não me leve a mal...
É que sou pássaro livre.
Claro, gosto sim de pousar em seu jardim,
cantar e te ouvir sorrir,
mas, moça já deixo avisado que vou partir,
o céu é meu lar.
Desculpe, sou pássaro livre,
Não sei viver em tuas gaiolas.
Não me leve a mal...
É que sou pássaro livre.
Claro, gosto sim de pousar em seu jardim,
cantar e te ouvir sorrir,
mas, moça já deixo avisado que vou partir,
o céu é meu lar.
Desculpe, sou pássaro livre,
Não sei viver em tuas gaiolas.
Versos Livres I
Minha Pequena,
de olhos grandes e
sorriso largo.
de olhos grandes e
sorriso largo.
Me diga agora,
Como pode uma menina
repousar tão a vontade em meu âmago?
Como pode uma menina
repousar tão a vontade em meu âmago?
Me diga agora,
como me solto desse teu Laço?
como me solto desse teu Laço?
Porque olha pra mim... Tão cheio de defesas...
E quem diria ? Acho que é tarde...
Escrevo seu nome, só sai poesia.
E quem diria ? Acho que é tarde...
Escrevo seu nome, só sai poesia.
A.K
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Cronicas do Kyhan -- Um buraco no meio do Peito.
Ele acordava sozinho todos os dias. Ele Olhava o teto,
coçava os olhos, saia de sua cama, lavava o rosto, vestia suas roupas e seguia
para o trabalho. Parava na cafeteria. O café era para um, havia tempo que era
assim. Não havia bebidas de sabores diferentes à mesa, os filmes não precisavam
ser discutidos, nem a pizza disputada. Ele sentia um vazio no peito, era como
se tivesse um buraco ali, como se faltasse algo, se sentia em meio a trevas,
sob o julgo insuportável do silencio.
Ele
buscou abrigo na religião, ouviu dizer que muitas pessoas preenchiam todo
aquele espaço dentro de si com um Deus invisível. Ouviu dizer que o amor que
eles pregavam poderia suprir suas necessidades e que um espírito falaria com
ele quebrando o silencio. Mas, aquelas pessoas... Elas odiavam o amor, se o
amor não fosse como um livro antigo as dizia, eles gritavam que você merecia
queimar no inferno, ele nunca ouviu o espírito que deveria quebrar o silencio,
nem ao menos encontrou conforto no Deus autoritário. O seu vazio continuou
aberto. A solidão ainda era sua inimiga, não havia ninguém por perto.
Ele
tentou preencher aquele buraco com outra pessoa. Ele colocou alguém ali dentro.
Por um tempo deu certo, o novo morador o aquecia, por vezes o incendiava, o
silencio era quebrado por gritos extasiados de prazer. Ele conseguia fugir da
solidão, agora havia sempre alguém por perto. Ele se sentia feliz. Era o amor
da vida dele, era seu tudo, seu alimento... Até ontem. Ai o que eles chamam de
amor acabou. E quando queimou pela ultima vez, deixou o buraco maior, mais
frio, a solidão voltou em um abraço. O silencio agora gritava em sua mente. As
lagrimas molhavam o chão e o afundavam em um mar vazio. Outra vez ele estava
só.
Ele
continuou tentando, ele colocou amigos que passaram direto pelo buraco. Tentou
colocar quadros e músicas. Tentou comprar coisas. Tentou encher aquele buraco
com trabalho. Tentou fumar e quem sabe aquecer outra vez aquele vazio, tentou
beber e esquecer o buraco. Falhou em cada misera tentativa. Nada, nada
adiantava. A solidão ainda batia em sua porta todas as noites, o silencio agora
cantava músicas tristes em seu ouvido e ele pensou em preencher o buraco com a
morte.
Um dia
ele correu, tentou desesperadamente correr de tudo aquilo. E ele descobriu que
correndo no ângulo certo contra o vento o buraco faz um assovio engraçado. Ele
parou rindo, e pela primeira vez parecia livre. A solidão depois de tanto tempo
não incomodava, era uma velha amiga com que ele podia dançar ao som caprichoso
do silencio. E desde então ele é feliz com seu buraco no peito.
Assinar:
Postagens (Atom)
