quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Deixai-me cair em tentação

Sobre você, eu e a distância. Maldita distância.

Livrai-me da distância que separa nossos corpos, vem a mim como se "nós" pudéssemos desatar a qualquer momento. Crente do meu amor, atordoado pela minha nudez. Me ame diante das luzes de velas, me embala nos braços, fique o máximo que eu quiser.
Toque meu corpo, me deixe revelar você. Trazer luz à sua imagem em um quarto escuro. Livrai-nos da timidez. Perca-se em mim, perca-se em ti, percama-nos em "nós" e não nos desatemos. Que seu corpo se enlace no meu, que lace meu peito e amarre minha boca em tua nuca, descubra o arrepio, sinta a saliva sua.
Gemidos nossos de cada dia nos dai hoje, não nos deixei faltar prazer, faz de mim teu pão. Devora-me. Por favor, deixai-me! Deixa-me cair em tentação e atente seus olhos aos meus, e sejamos um, e o que som que escapa de vós encontre minha voz, e que outra vez sejamos nós, sejamos laço, sejamos proteção, calor e abraço. Livrai-me da tua ausência e do mal que me faz tua falta.
Amem.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O amor. A escolha. O espinho. O sangue.

Eu abraçei você com todos os seus espinhos. Eu aceitei a dor de ter você em minhas mãos. Não me olhe com esse olhar de quem não sabe o que quer, eu deixei meu mundo pra segurar o seu, e te abraçei e te mantive aquecida enquanto a tempestade congelava tudo ao nosso redor.
Ha!  Garota, você olha pro nada e me pede para não dizer "eu te amo", porque você vai me machucar, você diz que sempre machuca. Mas, moça, essa é a vida, há um ciclo no amor, que começa com a  cura e termina com a dor. Eu sei que vai me machucar, que seus espinhos vão invadir meu peito e sua fragancia irá envenenar minha alma. E que talvez, ainda que sem querer, eu te machuque também. Somos frágeis um perto do outro, bailarina de vidro e soldado de papel. Então, deixa a dor pra amanhã, se aninhe em meu peito e acalma teu coração, o sangue que corre e goteja sinfonico no chão não é nada além de uma rubra canção. Segura firme, o grito da morte é só o vento, coisa da imaginação, segura, segura firme minha mão.
É só o vento, só fantasmas de um futuro incerto. Esquece os espinhos, esquece a dor. Deita na minha cama, me mostre seu corpo. Os gritos já não são de dor, sua lingua encontra a minha e falamos a língua do amor. E se depois do prazer seu peito ainda pesa. Se aninhe no meu, deite nua sob a proteção do meu calor, não pense em nada, durma em paz. É chegado o tempo do inverno... mas é só amanhã, só quando eu me for.  Até lá, foi minha escolha estar aqui. Nos cabe aceitar, você nasceu para ser espinho e eu cicatriz.