sábado, 9 de julho de 2016
Avaliando-te
Olhei-a intensamente, para cada detalhe, principalmente o rosto, onde sua boca estava. Aquela boca que escondia um sorriso às vezes alegre, às vezes malicioso, quando ela mordia o lábio em uma tentativa desastrosamente fofa de sensualizar, ou nas ocasiões em que ela fazia biquinho e revirava os olhos quando eu ouso chamá-la de fofa.
E sempre que ela está pensativa seus olhos fixam-se no céu e sua expressão se suaviza, seus lábios sugerindo um sorriso preguiçoso. Nesse momento eu tenho a impressão de que nada no mundo poderia abala-la.
Ah, não posso me esquecer das bochechas, as enormes e fofas bochechas que ela tem, que sempre ficam vermelhas quando eu fazia um elogio, me deixando com uma enorme vontade de aperta-las. Mas sempre me contenho por causa das suas ameaças de me dar um soco se eu fizer isso. E a mania que ela tem de passar as mãos no cabelo de cinco em cinco minutos (ou menos), e quando eu pergunto o porque dessa mania ela simplesmente respondia "É questão de 'buniteza'", me fazendo rir e comentar: "Você é uma montanha-russa em forma de cachos, minha querida."
-Não posso te dizer - respondo sorrindo - não quero que você se apaixone por si mesma.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Bailarinos anônimos
Casais são casais em qualquer idade.
Hoje, quando voltava pra casa, deparei-me com uma cena belíssima. Em pleno ponto do ônibus um belo par ignorava os olhares curiosos e se perdiam num mundo só deles. Ela sorria e jogava seu charme enquanto ele, já tomado pelos feitiços da moça, olhava "embobecido", com aquela cara que todo homem faz quando está apaixonado. Ela três passos em uma curtíssima corrida, como se dicesse "Estou fugindo. Está me perdendo. Estou escorregando de seus braços bobinho". O rapaz, também com três curtos passos a toma nos braços, "Não tão rápido moça, não se esquive assim, você só escorregou dos meus braços para cair em minha boca".
Era uma cena comum, mas "o amor transforma" não é? Eu via uma bela apresentação de balé, os passos, os olhares, a sincronia dos corpos, dos sorrisos e que sorrisos, estendiam-se da boca e tomavam os olhos. Ela outra vez se desvencilhou com um riso sapeca nos lábios, rodopiou como uma bailarina e beijou o ar. Tudo só para cair outra vez nos braços de seu amado.
Ele prontamente lhe deu sustento, e num beijo final se despediram. E você pode pensar que me refiro a jovens na flor da idade, ou até mesmo a algum casal de proeminentes dançarinos. Engana-se.
Ele. 56 anos. Trabalha num escritório ali perto. Tem problemas na coluna. Falta-lhe os cabelos.
Ela. 49 anos. Cabeleireira. Reclama de dores nas pernas. O brinco esquerdo faltava algumas "pedras".
Porém, casais são casais em qualquer idade. O amor transforma a todos nós em bailarinos anônimos e sorridentes.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Notas sobre uma Abelha II
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Notas Sobre Uma Abelha -- Nota I
quinta-feira, 24 de março de 2016
VI
desde então, ela vem me roubando
Diante da tela, sorriso
No dia a dia, pensamento
Diante do mar, a paz
Na sombra, o fogo
Diante do por do sol, os olhos
Hoje ela nem foi sutil
Não me roubou lentamente,
Não se intimidou com os olhos atentos da lua
tão pouco, pelo vigiar do mar.
Foi de uma vez. Mão no peito.
Assalto.
Sem reação. Bate tão rápido.
Passe para cá esse coração.
Agora eu me pergunto:
O que mais ela pode levar
De alguém que só queria um beijo?
sábado, 5 de março de 2016
Do(r)pamina
Me mata, me consome por dentro
Me deixa alucinada.
Imagens que jamais irão acontecer
Aquele vazio que eu tento preencher com você
Só mais um trago, eu juro!
"É apenas uma viagem", você sussurra.
Meu vício por você me deixa cega
Não consigo raciocinar
Você faz a minha cabeça zunir
Meu corpo queima de excitação
Eu estou chapada de você.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
A desconstrução de um mito. O amor divino e o recém-nascido.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
V
Na sua casa, na cama
Sentindo-se limpo na lama
Fala que ama e reclama
Não assume que gosta e posta
"Lei do desapego"
Cê nem desapegou do medo
Sofre e sente em segredo
Tu quer se livrar do que?
Da dor de amar?
Ou do peso de viver?
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Deixai-me cair em tentação
Sobre você, eu e a distância. Maldita distância.
Livrai-me da distância que separa nossos corpos, vem a mim como se "nós" pudéssemos desatar a qualquer momento. Crente do meu amor, atordoado pela minha nudez. Me ame diante das luzes de velas, me embala nos braços, fique o máximo que eu quiser.
Toque meu corpo, me deixe revelar você. Trazer luz à sua imagem em um quarto escuro. Livrai-nos da timidez. Perca-se em mim, perca-se em ti, percama-nos em "nós" e não nos desatemos. Que seu corpo se enlace no meu, que lace meu peito e amarre minha boca em tua nuca, descubra o arrepio, sinta a saliva sua.
Gemidos nossos de cada dia nos dai hoje, não nos deixei faltar prazer, faz de mim teu pão. Devora-me. Por favor, deixai-me! Deixa-me cair em tentação e atente seus olhos aos meus, e sejamos um, e o que som que escapa de vós encontre minha voz, e que outra vez sejamos nós, sejamos laço, sejamos proteção, calor e abraço. Livrai-me da tua ausência e do mal que me faz tua falta.
Amem.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
O amor. A escolha. O espinho. O sangue.
Eu abraçei você com todos os seus espinhos. Eu aceitei a dor de ter você em minhas mãos. Não me olhe com esse olhar de quem não sabe o que quer, eu deixei meu mundo pra segurar o seu, e te abraçei e te mantive aquecida enquanto a tempestade congelava tudo ao nosso redor.
Ha! Garota, você olha pro nada e me pede para não dizer "eu te amo", porque você vai me machucar, você diz que sempre machuca. Mas, moça, essa é a vida, há um ciclo no amor, que começa com a cura e termina com a dor. Eu sei que vai me machucar, que seus espinhos vão invadir meu peito e sua fragancia irá envenenar minha alma. E que talvez, ainda que sem querer, eu te machuque também. Somos frágeis um perto do outro, bailarina de vidro e soldado de papel. Então, deixa a dor pra amanhã, se aninhe em meu peito e acalma teu coração, o sangue que corre e goteja sinfonico no chão não é nada além de uma rubra canção. Segura firme, o grito da morte é só o vento, coisa da imaginação, segura, segura firme minha mão.
É só o vento, só fantasmas de um futuro incerto. Esquece os espinhos, esquece a dor. Deita na minha cama, me mostre seu corpo. Os gritos já não são de dor, sua lingua encontra a minha e falamos a língua do amor. E se depois do prazer seu peito ainda pesa. Se aninhe no meu, deite nua sob a proteção do meu calor, não pense em nada, durma em paz. É chegado o tempo do inverno... mas é só amanhã, só quando eu me for. Até lá, foi minha escolha estar aqui. Nos cabe aceitar, você nasceu para ser espinho e eu cicatriz.