Asma Literária
terça-feira, 14 de março de 2017
Simplicidade
Então estou aqui outra vez, deixando escorrer no papel parte de mim. Fazendo de cada letra um breve vislumbrar do que meus olhos veem, de cada frase um pingo do que transborda em mim, eternizando você em tinta, papel, pixels, dados e bytes. Cada texto desse eternizará nosso amor, ainda que ele por si não alcance a eternidade, cada ponto e vírgula aqui deixará viva para o mundo inteiro ler o que um dia nos encheu de tanta paz, de tanta inquietação, do misto inefável de sentimentos que desagua em todo o azul, diluído no mar, dissipado ao céus e precipitado como temporal calmo de gotas quentes e refrescantes, contraditório por si, confuso por nós, grande por ser amor, confortável por ser azul.
Eu passei os últimos trinta minutos em meio a imagens e vídeos, apenas procurando um motivo para falar com você, algo que soasse como "olha que legal", e nos desse um assunto, não consegui. Você brotou com algo aleatório, uma oferta, um celular, e cá estamos nós, falando, e planejando, e raciocinando. E por mais simples e idiota que pareça, é isso, é simples. não deve haver artificialidade, o assunto vem, a necessidade também, e eu vejo a maravilha da simplicidade cotidiana.
E em meio a seus sorrisos eu tenho descoberto que a simplicidade é bela. Que embora seja bom ter aventuras, alguns jantares e lanches mais caros, que seja legal uma festa, uma reunião com amigos ou uma viagem ou outra, a simplicidade é o que solidifica, é o que impede que uma briga ou mau estar decrete o fim, a simplicidade é o que alimenta o amor e não o deixa morrer de inanição. É um acordar ao seu lado, e nossos corpos entrelaçados, um lanche a dois. São seus olhos grandes a me vigiar, é o planejar, segurar grana, discutir por bobeira, me acostumar com sua pirraça, dividir comida e brigar enquanto faz isso, é te segurar no colo e ver você gritar enquanto ri. É te sentir adormecer em meu peito e te marcar em milhares de publicações no Facebook, é falar com você todos os dias, é não ter assunto num momento e no outro falar sobre qualquer coisa de forma infinita, é a intimidade. É ser toda essa complexidade inexplicável, de ser simplesmente azul, de não poder mensurar o que cabe num simples abraço.
Simplesmente, obrigado.
sábado, 9 de julho de 2016
Avaliando-te
Olhei-a intensamente, para cada detalhe, principalmente o rosto, onde sua boca estava. Aquela boca que escondia um sorriso às vezes alegre, às vezes malicioso, quando ela mordia o lábio em uma tentativa desastrosamente fofa de sensualizar, ou nas ocasiões em que ela fazia biquinho e revirava os olhos quando eu ouso chamá-la de fofa.
E sempre que ela está pensativa seus olhos fixam-se no céu e sua expressão se suaviza, seus lábios sugerindo um sorriso preguiçoso. Nesse momento eu tenho a impressão de que nada no mundo poderia abala-la.
Ah, não posso me esquecer das bochechas, as enormes e fofas bochechas que ela tem, que sempre ficam vermelhas quando eu fazia um elogio, me deixando com uma enorme vontade de aperta-las. Mas sempre me contenho por causa das suas ameaças de me dar um soco se eu fizer isso. E a mania que ela tem de passar as mãos no cabelo de cinco em cinco minutos (ou menos), e quando eu pergunto o porque dessa mania ela simplesmente respondia "É questão de 'buniteza'", me fazendo rir e comentar: "Você é uma montanha-russa em forma de cachos, minha querida."
-Não posso te dizer - respondo sorrindo - não quero que você se apaixone por si mesma.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Bailarinos anônimos
Casais são casais em qualquer idade.
Hoje, quando voltava pra casa, deparei-me com uma cena belíssima. Em pleno ponto do ônibus um belo par ignorava os olhares curiosos e se perdiam num mundo só deles. Ela sorria e jogava seu charme enquanto ele, já tomado pelos feitiços da moça, olhava "embobecido", com aquela cara que todo homem faz quando está apaixonado. Ela três passos em uma curtíssima corrida, como se dicesse "Estou fugindo. Está me perdendo. Estou escorregando de seus braços bobinho". O rapaz, também com três curtos passos a toma nos braços, "Não tão rápido moça, não se esquive assim, você só escorregou dos meus braços para cair em minha boca".
Era uma cena comum, mas "o amor transforma" não é? Eu via uma bela apresentação de balé, os passos, os olhares, a sincronia dos corpos, dos sorrisos e que sorrisos, estendiam-se da boca e tomavam os olhos. Ela outra vez se desvencilhou com um riso sapeca nos lábios, rodopiou como uma bailarina e beijou o ar. Tudo só para cair outra vez nos braços de seu amado.
Ele prontamente lhe deu sustento, e num beijo final se despediram. E você pode pensar que me refiro a jovens na flor da idade, ou até mesmo a algum casal de proeminentes dançarinos. Engana-se.
Ele. 56 anos. Trabalha num escritório ali perto. Tem problemas na coluna. Falta-lhe os cabelos.
Ela. 49 anos. Cabeleireira. Reclama de dores nas pernas. O brinco esquerdo faltava algumas "pedras".
Porém, casais são casais em qualquer idade. O amor transforma a todos nós em bailarinos anônimos e sorridentes.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Notas sobre uma Abelha II
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Notas Sobre Uma Abelha -- Nota I
quinta-feira, 24 de março de 2016
VI
desde então, ela vem me roubando
Diante da tela, sorriso
No dia a dia, pensamento
Diante do mar, a paz
Na sombra, o fogo
Diante do por do sol, os olhos
Hoje ela nem foi sutil
Não me roubou lentamente,
Não se intimidou com os olhos atentos da lua
tão pouco, pelo vigiar do mar.
Foi de uma vez. Mão no peito.
Assalto.
Sem reação. Bate tão rápido.
Passe para cá esse coração.
Agora eu me pergunto:
O que mais ela pode levar
De alguém que só queria um beijo?
sábado, 5 de março de 2016
Do(r)pamina
Me mata, me consome por dentro
Me deixa alucinada.
Imagens que jamais irão acontecer
Aquele vazio que eu tento preencher com você
Só mais um trago, eu juro!
"É apenas uma viagem", você sussurra.
Meu vício por você me deixa cega
Não consigo raciocinar
Você faz a minha cabeça zunir
Meu corpo queima de excitação
Eu estou chapada de você.