quinta-feira, 16 de junho de 2016

Bailarinos anônimos

Casais são casais em qualquer idade.
Hoje, quando voltava pra casa, deparei-me com uma cena belíssima. Em pleno ponto do ônibus um belo par ignorava os olhares curiosos e se perdiam num mundo só deles. Ela sorria e jogava seu charme enquanto ele, já tomado pelos feitiços da moça, olhava "embobecido", com aquela cara que todo homem faz quando está apaixonado. Ela três passos em uma curtíssima corrida, como se dicesse "Estou fugindo. Está me perdendo. Estou escorregando de seus braços bobinho". O rapaz, também com três curtos passos a toma nos braços, "Não tão rápido moça, não se esquive assim, você só escorregou dos meus braços para cair em minha boca".
  Era uma cena comum, mas "o amor transforma" não é? Eu via uma bela apresentação de balé, os passos, os olhares, a sincronia dos corpos, dos sorrisos e que sorrisos, estendiam-se da boca e tomavam os olhos. Ela outra vez se desvencilhou com um riso sapeca nos lábios, rodopiou como uma bailarina e beijou o ar. Tudo só para cair outra vez nos braços de seu amado.
Ele prontamente lhe deu sustento, e num beijo final se despediram. E você pode pensar que me refiro a jovens na flor da idade, ou até mesmo a algum casal de proeminentes dançarinos. Engana-se.
Ele. 56 anos. Trabalha num escritório ali perto. Tem problemas na coluna. Falta-lhe os cabelos.
Ela. 49 anos. Cabeleireira. Reclama de dores nas pernas. O brinco esquerdo faltava algumas "pedras".

   Porém, casais são casais em qualquer idade. O amor transforma a todos nós em bailarinos anônimos e sorridentes.