quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Asma -- Um retorno por falta de ar

Depois de muito tempo voltei a escrever.
            Talvez porque no momento esteja sufocando em meu âmago. Não é mal de amor, não, antes fosse, amor se cura com álcool e música boa. Não, nenhuma tragédia sobreveio sobre mim – não ainda, pelo menos não uma que eu tenha me dado conta – e numa visão global da vida, eu não deveria estar reclamando. Todavia, há um vazio sufocante em mim, uma inquietude de espírito que parece consumir meu ser, a asma voltou. Meus pulmões já não se enchem de ar, e meu espírito já não encontra fôlego. Em vão tento respirar, mas minha alma falha, não há ar, não há vento, a brisa quente e leve da primavera se foi e nem mesmo o frio vento do inverno parece soprar, não há ar, não há nada.
             Julgas-me talvez egoísta, “há tantos passando fome, tantos em abandono e dor”, mas, meu amor, não desmereço o sofrimento alheio, contudo o sofrimento do próximo não impede o meu, sentir dor não faz de mim egoísta. E a ânsia pelas coisas da vida, pelo espírito que não respira e a passiva escuridão que sufoca, não fazem de mim um mau cidadão, antes, porém me reafirma como humano. Além do mais, minha alma tem fome, e meu interior tem dor, meus pés têm calos e eu não sei para onde ir. Uma nuvem de dúvidas se estaciona sobre minha cabeça, e névoa das incertezas encobrem meu caminho.

            Eu dirijo às cegas pela estrada da vida, cego pela neblina, com medo dos caminhões que passam raspando, pelas curvas surpresas, pelo asfalto molhado, pela gasolina que pode acabar antes do próximo posto. Eu me perco, e nem mapas ou GPS pode me ajudar, eu me perco porque não sei para onde ir e nem o que esperar. Desci do carro, andei pela estrada da vida a procura de ar.  

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