sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O amor. A escolha. O espinho. O sangue.

Eu abraçei você com todos os seus espinhos. Eu aceitei a dor de ter você em minhas mãos. Não me olhe com esse olhar de quem não sabe o que quer, eu deixei meu mundo pra segurar o seu, e te abraçei e te mantive aquecida enquanto a tempestade congelava tudo ao nosso redor.
Ha!  Garota, você olha pro nada e me pede para não dizer "eu te amo", porque você vai me machucar, você diz que sempre machuca. Mas, moça, essa é a vida, há um ciclo no amor, que começa com a  cura e termina com a dor. Eu sei que vai me machucar, que seus espinhos vão invadir meu peito e sua fragancia irá envenenar minha alma. E que talvez, ainda que sem querer, eu te machuque também. Somos frágeis um perto do outro, bailarina de vidro e soldado de papel. Então, deixa a dor pra amanhã, se aninhe em meu peito e acalma teu coração, o sangue que corre e goteja sinfonico no chão não é nada além de uma rubra canção. Segura firme, o grito da morte é só o vento, coisa da imaginação, segura, segura firme minha mão.
É só o vento, só fantasmas de um futuro incerto. Esquece os espinhos, esquece a dor. Deita na minha cama, me mostre seu corpo. Os gritos já não são de dor, sua lingua encontra a minha e falamos a língua do amor. E se depois do prazer seu peito ainda pesa. Se aninhe no meu, deite nua sob a proteção do meu calor, não pense em nada, durma em paz. É chegado o tempo do inverno... mas é só amanhã, só quando eu me for.  Até lá, foi minha escolha estar aqui. Nos cabe aceitar, você nasceu para ser espinho e eu cicatriz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário