sábado, 7 de março de 2015

Morena

Negros,
Cabelos densos e absolutos
Eram como noite sem estrelas
O mar em breu revoluto
Selvagem,
Como se o universo atro rugisse no além céu.
Fios em densas trevas, belas, escorrem pelo rosto ao léu.

E que rosto! Em tom moreno,
Traços belos
Sorriso bobo, solto, lábios carnudos
Olhar singelo

Mas, morena...
Esse teu olhar tão distante..
O que fita tua formosa íris?
Aonde vai a tua mente?
Em que mares navegam teu coração?
O que você tanto sente?

Serão teus sonhos muito grandes?
Esse anseio pela liberdade que não chega
A liberdade que nem existe.
Os outros riem quando teus olhos ficam tristes.

Os outros param e você acredita
Os outros vivem, você sobrevive.
Os outros são maioria, os outros se encaixam
Esse lugar pertence aos outros

E você é só a deslocada,
que faz toda a diferença nesse mundo chato dos outros. 

Um comentário:

  1. Se as linhas nos limitam, digo que limitou o infinito em cada verso. Meus Parabéns

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