sábado, 9 de julho de 2016

Avaliando-te

     -O que você viu em mim? - perguntou ela franzindo as sobrancelhas.
      Olhei-a intensamente, para cada detalhe, principalmente o rosto, onde sua boca estava. Aquela boca que escondia um sorriso às vezes alegre, às vezes malicioso, quando ela mordia o lábio em uma tentativa desastrosamente fofa de sensualizar, ou nas ocasiões em que ela fazia biquinho e revirava os olhos quando eu ouso chamá-la de fofa.
      E sempre que ela está pensativa seus olhos fixam-se no céu e sua expressão se suaviza, seus lábios sugerindo um sorriso preguiçoso. Nesse momento eu tenho a impressão de que nada no mundo poderia abala-la.
      Ah, não posso me esquecer das bochechas, as enormes e fofas bochechas que ela tem, que sempre ficam vermelhas quando eu fazia um elogio, me deixando com uma enorme vontade de aperta-las. Mas sempre me contenho por causa das suas ameaças de me dar um soco se eu fizer isso. E a mania que ela tem de passar as mãos no cabelo de cinco em cinco minutos (ou menos), e quando eu pergunto o porque dessa mania ela simplesmente respondia "É questão de 'buniteza'", me fazendo rir e comentar: "Você é uma montanha-russa em forma de cachos, minha querida."
      -Não posso te dizer - respondo sorrindo - não quero que você se apaixone por si mesma.

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