Faz muito tempo que não escrevo. Nos últimos meses me faltaram mais tempo que palavras. Talvez tenha faltado dedicação, atenção ao que se acumulava em mim ou haja certa desnecessidade de escrever. Pois é assim, sempre escrevi para espalhar tristeza, para dispersar, para que ela saia de mim, para que a dor se dilua no vento e não queira voltar. Sempre escrevi quando estava carregado, quando o mundo agarrava em minha garganta e eu precisava respirar, quando a asma enrolava suas mãos macias em meu pescoço e impedia meus pulmões de alcançar o ar. No entanto, tenho andado feliz no último ano, desde que te conheci, tenho sido egoísta, e tudo que tenho guardo para mim, e não espalho no papel, quanta tolice não escrever, afinal, o mesmo papel que dissipa a dor, eterniza o amor.
Então estou aqui outra vez, deixando escorrer no papel parte de mim. Fazendo de cada letra um breve vislumbrar do que meus olhos veem, de cada frase um pingo do que transborda em mim, eternizando você em tinta, papel, pixels, dados e bytes. Cada texto desse eternizará nosso amor, ainda que ele por si não alcance a eternidade, cada ponto e vírgula aqui deixará viva para o mundo inteiro ler o que um dia nos encheu de tanta paz, de tanta inquietação, do misto inefável de sentimentos que desagua em todo o azul, diluído no mar, dissipado ao céus e precipitado como temporal calmo de gotas quentes e refrescantes, contraditório por si, confuso por nós, grande por ser amor, confortável por ser azul.
Eu passei os últimos trinta minutos em meio a imagens e vídeos, apenas procurando um motivo para falar com você, algo que soasse como "olha que legal", e nos desse um assunto, não consegui. Você brotou com algo aleatório, uma oferta, um celular, e cá estamos nós, falando, e planejando, e raciocinando. E por mais simples e idiota que pareça, é isso, é simples. não deve haver artificialidade, o assunto vem, a necessidade também, e eu vejo a maravilha da simplicidade cotidiana.
E em meio a seus sorrisos eu tenho descoberto que a simplicidade é bela. Que embora seja bom ter aventuras, alguns jantares e lanches mais caros, que seja legal uma festa, uma reunião com amigos ou uma viagem ou outra, a simplicidade é o que solidifica, é o que impede que uma briga ou mau estar decrete o fim, a simplicidade é o que alimenta o amor e não o deixa morrer de inanição. É um acordar ao seu lado, e nossos corpos entrelaçados, um lanche a dois. São seus olhos grandes a me vigiar, é o planejar, segurar grana, discutir por bobeira, me acostumar com sua pirraça, dividir comida e brigar enquanto faz isso, é te segurar no colo e ver você gritar enquanto ri. É te sentir adormecer em meu peito e te marcar em milhares de publicações no Facebook, é falar com você todos os dias, é não ter assunto num momento e no outro falar sobre qualquer coisa de forma infinita, é a intimidade. É ser toda essa complexidade inexplicável, de ser simplesmente azul, de não poder mensurar o que cabe num simples abraço.
Simplesmente, obrigado.
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